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“Feliz não é aquele que mais tem, mas o que menos necessita!’ 

 julho 18, 2019

Por Aldo Montes

Estou passando uma temporada aqui na Indonésia fazendo um trabalho voluntário (Intership program) como Coach para crianças que sofrem alguma limitação mental e ensinado inglês para crianças de 7 a 15 anos de idade, confesso que planejei esta viagem por uns 3 meses, comprei as passagens, consegui o visto junto ao Consulado da Indonésia, comprei os dólares, tomei as vacinas, preparei tudo pensando que seria um período sabático e que seria uma ótima experiência para mim como pessoa e como profissional.

Tudo acertado, estava bastante animado com a viagem, tudo me parecia tudo muito lúdico, achava que eu ao chegar aqui iria fazer o meu melhor e simplesmente eu não iria sentir tanta a falta de minha família, casa, amigos etc., ledo engano com apenas 15 dias aqui começou bater uma falta e uma certa angústia, agora minha euforia se transformou em uma forte saudade de minha família, minha casa, meus amigos, da comida do Brasil, comecei a ver as dificuldades onde eu me encontrava.

Inicialmente cheguei na base em Jakarta do TML (Total Mind Learning) uma ONG muito respeitada e honesta que recebe incentivo do governo da Indonésia para desenvolver um trabalho com crianças carentes e principalmente com crianças que sofrem de alguma limitação mental, eu viria para a base do TML que fica a uns 100km de Jakarta (West Java), ficaria aqui inicialmente dois dias e regressaria para Jakarta após os dois dias fui comunicado que eu, na verdade, ficaria aqui na fazenda 2 semanas, bem eu havia trazido roupas para dois dias, tive que revezar minha roupa todos os dias, lavando e esperando secar para poder usar no dia seguinte, esta tarefa parecia que poderia ser resolvida sem maiores dificuldades.

Foi então que eu percebi que as pessoas que aqui vivem em situação de extrema necessidade, o que para nós são artigos supérfluos, aqui os pratos e os talheres são de plásticos descartáveis, porém, eles não descartam, ao terminar o almoço ou a janta, tudo é lavado e colocado no escorredor para ser usado novamente, na casa onde estou hospedado não tem mesa, não tem cadeiras, e não tem cama, tudo que você faz é no chão, comecei a observar como estas pessoas podem ser felizes com tão pouco, eles têm o mínimo para viver e ainda assim sempre estão sorrindo, conversei com meu irmão mais novo que vive na Espanha há 18 anos e ele me falou a frase acima: “Feliz não é aquele que mais tem, mas o que menos necessita!”

Refleti a respeito desta frase e concordei com ele, muitas vezes temos tantas coisas e não valorizamos, temos uma boa moradia, alimentos, pratos, talheres, carro enfim muitas coisas e não somos felizes (estou falando por mim), foi um impacto muito grande para mim, no final pensava que eu havia vindo aqui ajudar as pessoas, mas, na verdade, quem esta sendo ajudado era eu, ver como cada aluno estava agradecido pela aula de inglês ministrada, ver o agradecimento de cada criança que estou atendendo como Coach, fico imaginando eles têm certa limitação mental, mas são gratos pelo trabalho que estou desenvolvendo, confesso que estou estudando bastante para oferecer o melhor de mim, no período que eu estiver por aqui, quero fazer a diferença no lugar onde estou, e quero aproveitar cada momento, seja ensinando, seja cuidando dos 5 cachorrinhos (os muçulmanos não gostam muito de cachorros e esta tarefa acabou ficando pra mim), seja cuidando das ovelhas, seja ajudando a limpar a casa, fazendo minhas caminhadas no final da tarde por este vilarejo longe de tudo, enfim que tudo que eu possa fazer seja como se estivesse fazendo para Deus.

Se eu conseguir fazer isto, creio que no final terá válido a pena esta maravilhosa experiência que estou vivendo. Não sei quanto tempo estarei aqui na Indonésia, mas seguramente eu não serei a mesma pessoa que voltará ao Brasil, espero que no meu regresso eu possa desfrutar mais de tudo que tenho em especial de minha família, que sempre me apoiou durante todos estes anos, espero desfrutar mais de minha casa, de meus amigos e também da deliciosa comida que temos no Brasil e que o dia a dia fez com que eu não valorizasse adequadamente cada pequeno detalhe que a vida sempre me proporcionou e eu permiti que tudo entrasse em um modo de rotina sem perceber a beleza de cada detalhe que todos os dias a vida nos proporciona.

Abraços e até a próxima!

Aldo

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